História
1 - Origens da Maçonaria – Maçonaria Operativa
A Maçonaria atual que é praticada em todo o mundo é originária das corporações dos pedreiros livres da era medieval. O início exato da organização e atuação dessas corporações ou guildas é alvo de grandes discussões e polêmicas. Os pedreiros livres eram especializados na construção de igrejas, catedrais, pontes e edifícios públicos e para protegerem e preservarem os segredos de sua profissão-arte organizaram-se em grandes corporações que lutavam por melhores condições de trabalho, por justas remunerações, pelo direito de ir e vir pelas terras européias sempre palco de inúmeras guerras, pelo reconhecimento e respeito profissional pela nobreza e pelo clero.Todas essas condições eram essenciais para a sobrevivência da própria corporação durante uma época tão difícil e hostil que foi a Idade Média na história da humanidade. Durante séculos construíram milhares de igrejas e centenas de catedrais dentro do que ficou conhecido como estilo gótico. Esse período ficou conhecido como Maçonaria Operativa e durante mais de 300 anos os mestres pedreiros, junto com seus companheiros e aprendizes, foram responsáveis por obras maravilhosas como as catedrais de Notre Dame, de Paris, Notre Dame, de Chartres, Reims, Amiens, Burgos, Colônia, etc. Além de edificá-las, os maçons, através da maestria da arte do talho fino, esculpiram dentro e fora dessas catedrais milhares de imagens, passagens bíblicas, símbolos religiosos, propiciando a uma população constituída em sua grande maioria de analfabetos (98%) a possibilidade de uma melhor compreensão e assimilação dos ensinamentos bíblicos.

Tal é a riqueza dos detalhes da decoração das igrejas góticas, que são reconhecidas através da história como verdadeiros “livros de pedra”. Durante os séculos XV, XVI e XVII a corporação dos pedreiros livres entrou num longo período de declínio, principalmente após a Reforma Protestante, quando houve uma desaceleração no ritmo de construção das igrejas católicas. Os maçons operativos começaram então a aceitar para os seus quadros homens livres e de bons costumes, não necessariamente pedreiros, para fazerem parte da Ordem. No começo do século XVIII, grande parte das lojas européias já era constituída em sua maioria por “maçons aceitos”, iniciando-se uma nova fase dentro dessa fantástica história: a “Maçonaria Especulativa”.
Catedral de Chartres
2 – Maçonaria Especulativa
Na noite de 24 de junho de 1717, reuniram-se em Londres quatro lojas maçônicas que já tinham em seus quadros uma maioria de maçons aceitos. O objetivo maior desta histórica reunião foi a fundação da Grande Loja de Londres, à qual todas as outras lojas começariam a prestar obediência. Em poucos anos, centenas de outras lojas na Inglaterra e em toda a Europa e América aderiram a essa inovadora forma de relacionamento entre as lojas e muitas outras “obediências e potências” foram criadas. Entre os “aceitos” grandes filósofos, pensadores, cientistas, militares, profissionais liberais, clérigos, nobres, políticos começaram a integrar as lojas e suas idéias progressistas e humanistas, próprias daquele período da história, fizeram da Maçonaria uma instituição de grande influência em todas as mudanças que ocorreram durante o século XVIII e XIX em todo o mundo. É mister destacar a Revolução Americana e a elaboração da “Bill of Rights”, considerada a primeira Carta dos Direitos Humanos, a Revolução Francesa e a Carta Universal dos Direitos Humanos, que serviram de inspiração para a estruturação de todas as bases democráticas das constituições que seriam elaboradas a partir de uma série de processos de liberdade política que se desenvolveram em toda a América Latina, incluindo o Brasil.

A Maçonaria Especulativa soube manter as tradições e ensinamentos herdados da Maçonaria Operativa, e absorvendo os novos e instigantes valores políticos, sociais, científicos e filosóficos a partir do Renascimento e do Iluminismo transformou-se em uma instituição sólida e respeitada, atuante em todos os processos que visam melhorar e enaltecer a condição humana, trabalhando ininterruptamente para que todos os homens em nosso planeta gozem de direitos e deveres fundamentais, que lhes garantam uma existência digna, calcada nos ideais de Igualdade, sem tolhimento da liberdade e de Liberdade sem comprometimento da igualdade. Para esse fim, a Maçonaria acredita que o grande e árduo caminho é o da investigação constante da Verdade, da fé no Grande Arquiteto do Universo e da Fraternidade que deve unir indistintamente todos os povos.